A história de Lampião da Esquina, editado entre 1978 e 1981 por João Silvério Trevisan, Aguinaldo Silva e Darcy Penteado, está preservada. Foto: Divulgação. Pioneiro, transgressor, polêmico. Esses são alguns adjetivos que podem ser atribuídos ao
Lampião da Esquina, jornal mensal editado entre 1978 e 1981, o primeiro do Brasil com foco no público homossexual. Trinta anos depois do fim da publicação, seus 41 números foram digitalizados e estão disponíveis na internet, no site do
Centro de Documentação Professor Doutor Luiz Mott, da
Ong Grupo Dignidade, de Curitiba, no Paraná.
A digitalização do
Lampião é uma iniciativa da Associação Paranaense da Parada da Diversidade, a APPAD, em parceria com o Ministério da Cultura. Esse trabalho representa um marco para o movimento homossexual brasileiro e também para a imprensa alternativa, fundamental instrumento de resistência durante o regime militar (1964-1985).
A publicação tinha editorias como Cartas na Mesa, em que eram publicadas e respondidas as cartas dos leitores, Esquina, em que se reuniam as notícias, e Reportagem, em que era publicada a matéria da capa. O contéudo ficava a cargo dos conselheiros editoriais e de convidados que mudavam a cada edição.
Abordando temas que iam além do contexto homossexual, como ecologia, discriminação racial e artes, o
Lampião da Esquina fez um estardalhaço tamanho a ponto de bancas de jornal que vendiam a publicação no Rio de Janeiro serem atacadas a bomba. Era um terrorismo de Estado feito pela ditadura, que percebeu que o
Lampião vinha de assalto à sua pudica moral e ao torpe machismo brasileiro. Irônico também era o fato de São Paulo, na época já a maior cidade do país, e hoje sede da maior Parada LGBT do mundo, ter apenas uma banca a vender o jornal, que ficava na Avenida São Luís, no Centro da cidade.
A redação do Lampião foi destruída após um incêncio criminoso em 1981. Vinte anos depois, sua leitura é recomendadíssima.